quinta-feira, 19 de junho de 2008

O TEMPO NÃO VOLTA

Mãe a cada ruga que vejo acentuar-se em seu rosto, percebo que o tempo é o senhor de tdo - não o chamo de inexorável pq estaria sendo injusta. O tempo nos dá oportunidades que jogamos fora por pura irracionalidade. Eu tive tempo sim, mãe, de pedir-te desculpas pelas lágrimas que minha insensibilidade deixou que rolassem em teu rosto liso, macio e não o fiz. Eu tive tempo mãe de pentear-te os cabelos ainda negros - hj tão alvos - qdo estavas com os braços cansados de trabalhar para ajudar meu pai no sustento da família. Eu tive tempo mãe, de te fazer-te uma massagem nos pés quando chegavas em casa com eles doloridos, por ficar em pé o dia tdo. Eu tive tempo mãe, de te dizer, por poucas vzs que fosse, que te amava, que te admirava, eu tive tempo sobrando mãe, pra te fazer tantos mimos... É mãe, eu tive tempo, muito tempo mesmo, mas infelizmente eu não usei, guardei dentro de mim por puro egoísmo e agora mãe o tempo cansou do pouco caso que dei a momentos tão valiosos, e partiu levando consigo o tempo que eu precisava para falar-te. Oh minha mãe querida! Nem ao menos para parar, se fosse possível o tempo, já seria tarde demais, pq não foi só o teu rosto que está mudado pelas marcas desse mesmo tempo, é a tua cabeça mãe, que mudou de tal forma que já não me conheces mais. Mãeeeeeeeeee se tua alma escuta, por favor, ouve esse meu grito de agonia: PERDOA-ME MÃE QUERIDA, PELO TEMPO QUE TIVE PRA TE FAZER FELIZ AO MENOS POR INSTANTES E NÃO O FIZ

sábado, 7 de junho de 2008

EU SOU GENTE

Não Entrem em Minha Casa

Por favor, não entrem em minha casa, eu não gosto desse modo chocante como nos informam. Mil vezes o pingo da torneira mal enroscada que me atrapalha o sono, a esse rosário desfiado por vocês dia após dia. Quero dar mais risadas, ouvir mais músicas – sinto falta de uma parada musical na televisão. Quero assistir menos programas sensacionalistas – É hora de deixarmos as Isabelas – pobres vítimas da degradação humana - descansarem em paz. Vamos esperar que os culpados sejam julgados pelos seus crimes nos fóruns legítimos, não por multidões ensandecidas, ávidas por fazer justiça, ou quiçá, apenas pelo prazer da tragédia. Que prazer mórbido é esse que alenta as pessoas a ficarem ruminando um crime hediondo reprisando ininterruptamente para conquistar audiência em cima da desgraça alheia e com isso enriquecer à custa de nós, pobres infelizes, que não conseguimos rejeitar o farto banquete de horrores que nos oferece? Porque será que não nos proporcionam banquetes de otimismo? Será que somos tão bárbaros assim a ponto de deixarem exposto o bufê dos horrores por horas, dias e semanas a fio para degustarmos prazerosamente?

Chega! Eu enjoei. Quero me empanturrar é de amor, quero fazer desjejum de alegria, almoçar paz e jantar felicidade Quero dormir embalada na certeza de que ser feliz é não instigar, acusar, defender, nem condenar ninguém sem que me tenham concedido permissão de colocar a toga para prática do direito de verbalizar. Não suporto mais os sismos do meu Eu provocado pela falta de escrúpulo de pessoas insensíveis e avarentas. Tenho certeza que essa é a fórmula para viver sem abalar a minha estrutura emocional, e estar sempre jovem, sem o horror da lâmina fria de um bisturi inexorável.

Decidi - vou boicotar todo e qualquer tipo desse comercio sensacionalista. Vou dizer não a esses infelizes que enriquecem à custa do nosso gosto pela miséria alheia.

Basta de servir de iscas para banquetes de tubarões.

Eu quero me fartar é de saber que toda criança está na escola. Que o médico, do posto ou do hospital público, aliviou o sofrimento de todos que buscaram os seus serviços. Quero me fartar de saber que ninguém ficou nas filas ou nos corredores de hospitais a espera de que lhe viessem colocá-lo num leito, simples que seja, com lençóis limpos em vez de uma maca tosca ou um papelão estendido no frio e imundo chão. O corpo, curvado pela dor acrescido à visão de desespero estampada no rosto do pai ou mãe ou filho ou amigo... Seja lá quem for que o acompanha, pedindo clemência, rezando, tumultuando - sofre talvez mais que o doente – este, já pressentindo a morte lhe rondando – vê com pesar que o socorro não chegará a tempo - fica quieto, moribundo no seu canto, como se quisesse esconder daquele que pranteia por ele, o sofrimento. Pedindo a Deus quem sabe, em forma de murmúrio, conformação e força para os que ficam, suportarem a dor da sua partida para a eternidade.

Sou um grão de areia nesse mar de infâmia – Sou pusilânime, não tenho ânimo pra me juntar a outros grãos de areia e formar uma duna que soterre a negligência, a indiferença, dos responsáveis por tão grande infortúnio. Tenho consciência da minha total imobilidade Mas tenho todo o direito de não compactuar com a banalização do sofrimento que esses párias proliferam.

Não entrem na minha casa, eu não vos delego autorização para me banquetearem com o mesmo cardápio indigesto, e enjoativo todo dia.

Ah - querem apenas me falar de boas novas? Então entrem, sintam-se à vontade para informar que índios são brasileiros como eu. Ta certo, eu compro o jornal, aumento o som da tv para ouvir a notícia que o idoso está vivendo com dignidade, colhendo com lucro, tudo que plantou durante o longo tempo que semeou progresso nesse país. Eu nem preciso trocar de canal, todos as televisões estão noticiando a bravura e a honestidade daqueles que no dia a dia do seu trabalho nos protegem dos equivocados que pensam que roubar, matar, estuprar é a essência do poder e da felicidade.

Eu tenho fome de saber que os nossos representantes os quais depositamos nossa confiança e esperança de defenderem um país mais justo, estão retribuindo o nosso voto, legislando em causa pública, deliberando pela vontade daqueles que lhe outorgaram tamanho poder. Vou pular, cantar, saborear uma fatia de pizza - a mais deliciosa que tiver, quando der no noticiário que o congresso não é mais um forno, e foi proibido o uso da varinha mágica para transformar leis em discos de pizza recheados com falta de caráter, com favorecimentos e enriquecimento ilícito. Quero ouvir a maioria dos brasileiros - sei que a unanimidade é burra - se referirem ao presidente com admiração pela bravura ao deferir a lei que derruba e veta a criação de novos impostos multifacetados. Quero, vê, ouvir e lê, o respeito que se tem ao chefe do Estado pelo cargo que ocupa. Quero me deliciar de tanto ouvir falar que a justiça se faz plena e imparcial na minha pátria. Quero assistir a tv, lê o jornal ou ouvir o rádio noticiando o direito assegurado à casa própria para todos. Quero me fartar de saber que ninguém convive com esgotos a céu aberto. Quero que noticie na tv que os que cumprem suas penas perante a sociedade, o fazem em lugares pra gente, e não pra bicho pois só assim não se estará concebendo uma nova espécie de raça, tão medonha quanto infeliz! Quero me emocionar de alegria quando a imprensa noticiar que pedidos de desculpas no trânsito virou refrão e uma doce música aos ouvidos de quem os ouve. Enfim, quero a notícia publicada a toda hora, todos os dias todos os meses, todos os anos... Que a raça humana conscientizou-se que é gente que faz gente, que respeita gente, que protege a fauna, que protege a flora.

Eu sou gente!

E você?

sábado, 31 de maio de 2008

É FÁCIL SER FELIZ

Eu amo as pessoas, os animais, a vida... Amo cantar - mesmo que seja no banheiro - Amo ouvir música, caminhar na chuva... Amo a chuva no telhado - cantiga de ninar que me embala. Amo o gorjear dos pássaros, o coaxar dos sapos na chuva... Amo colocar as mãos na terra, plantar e vê nascer a flor que me encanta os olhos. Amo o roçado de feijão, o milharal com seus pés viçosos empertigados, em seus pendões anunciando o nascimento das bonequinhas loiras ou morenas! Amo os meus amigos da roça, companheiros pra toda hora com o seu linguajar estropiado - retrato do pouco caso que faz o entra e sai daqueles que prometem governar bem um povo - claudicantes... Enfim... Amo os homens de bem, amo as plantas, amo os bichos, amo as coisas, amo tudo que me lembra alegria. Sou venturosa porque é assim que Deus me quer, alentada por uma força que vem de alguma direção, irradiada do amor de Deus!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Guerreiro de Deus

Mãe de Gravata

Com licença Ronnie Von. Permita-me o uso da licença poética que leva o nome de um programa que você apresentou. Mas é por uma causa nobre. Aliás, é para que se faça uma justa homenagem a um cidadão que com dedicação, desprendimento e conformação virou uma mãe de gravata – nunca vi um nome tão apropriado para homens que tal qual você dedicou-se a cuidar dos filhos e ajudar nas tarefas domésticas.

Estou falando do meu Irmão Benedito – esse, não só é uma mãe de gravata, mas uma filha de bigodes.

Acredito que estou fazendo justiça ao prestar essa homenagem a essa criatura – embora tarde – mas como diz o velho jargão nunca é tarde para se reparar uma injustiça. E agradeço a Deus por ter me dado a permissão de prestar-lhe essa homenagem ainda em vida.

Benedito – Bené, como todos nós costumamos chamar-te. Você é um guerreiro de Deus. É fato que lhe vi cambalear algumas vezes, mas está tudo certo, errado seria se fostes toda uma vida uma rocha, uma fortaleza – não estou falando de nenhum ser sobrenatural, nem de super heróis das histórias em quadrinhos levados ao cinema em mega produções idolatrados pelas crianças, e adultos também - me incluo nesta última categoria, já que com os meus bem vividos 58 anos ainda continuo fascinada por estórias de super heróis. Sim, mas vamos voltar a falar do Guerreiro de Deus – o nosso super herói, que não voa, não escala edifícios, não tem máquinas motorizadas com tecnologia do futuro, nem porções mágicas, nem armas super poderosas. Suas armas são tão simples: aceitação, permissão, dedicação, poder de renúncia e muito amor que transborda e salta aos olhos diante de uma senhora indefesa, que não sabe quem é, quase que não fala – apenas canta, repetitivamente, ou balbucia? Na sua linguagem ininteligível como se fosse um besourinho zunindo, cumprindo o seu papel na natureza. Mas que você, somente você, consegue entender e discernir com tanta precisão, quando ela está alegre, quando está sentindo dor, enfim essa criatura tão amada, que tanto bem nos fez que como mãe muitas vezes nos livrou de castigos terríveis para não ver rolar as lágrimas de dor e frustração pelos nossos rostos, que tanta lição de amor, de cidadania de moral nos deixou como legados para nossas vidas. Hoje é ela quem te suga as forças. Outrora, já lá nos tempos longínquos, fomos nos que sugamos as entranhas dela a ponto de rasgar-lhe o peito. E quantas vezes saltaram-lhes as lágrimas ao rosto por te ver doente, e a nós, teus irmãos mais velhos? Sabe Meu Guerreiro, hoje fico a imaginar quantas lágrimas a fizemos derramar por pura estupidez. Infelizmente não me foi dada permissão de quedar-me perante ela, e aos prantos pedir-lhe perdão. Mas nem tudo está perdido, restou-me a felicidade de poder falar do meu amor por você, da minha admiração e dizer-lhe muito obrigada mano Guerreiro, por tudo que fez e faz por nossa “Menina Veneno” como diria se hoje aqui estivesse entre nós o nosso mano mais velho - Jorge. Não sei se hoje esse codinome caberia pra ela, talvez “Menina-viajante” se adequasse mais à sua realidade. Sinceramente, acredito que nós, os outros filhos, não teríamos essa capacidade se estivéssemos em condições físicas para cuidar-lhe. Sim, porque cuidar da nossa mãe não envolve só esforço físico, envolve renúncias, dedicação sem cobranças, e amor que mesmo no limite das suas forças e sanidade, emana de todo teu ser.

Às vezes fico observando você conversar com ela como se estivesse conversando com um filho bebê. Isso é mágico, é sobrenatural. Hoje a “Velha Nita” ou Dona Nitinha como você tão carinhosamente a chama é um apêndice do seu corpo. Acredito até que se um sente uma coisa o outro sente também, tanta é a comunhão dos corpos de filho que se tornou mãe e mãe que se transmutou em filho.

Eu sei Meu Guerreiro, que foi preciso renunciar a tantas coisas, buscar forças de onde nem você mesmo sabia onde e como tirar. Mas é claro que Deus esteve sempre atento, e não lhe deixou sucumbir. Combaliu por diversas vezes, mas nessas horas, como você escreveu uma certa vez uma mensagem para Cristiane – minha filha, lembra? Era uma véspera de Natal e você foi o amigo secreto dela - Deus te carregou no colo.

Sabe meu herói, a sua missão estava traçada desde quando seu espírito foi comungado com o seu corpo – Deus por certo disse “DESCE, FAZ TUDO QUE VOCÊ QUISER. TRABALHE, SORRIA, GRITE, ESBRAVEJE, BRINQUE, PULE, SALTE, FIQUE NERVOSO, RECLAME, CHORE... ENFIM, FAÇA TUDO QUE É INERENTE AO HUMANO, PORQUE NA HORA CERTA VOCE VAI ASSUMIR A MISSÃO QUE EU TE DESIGNEI. POR CERTO SERÁ ÁRDUA E MUTO DOLOROSA. MAS TENHA CERTEZA, SERÁ MAGNÂNIMA E GRATIFICANTE” E você fez de tudo, trabalhou, brincou, viajou, pulou, cantou, chorou, desesperou, duvidou contrariou, esbravejou foi arrogante, autoritário, cumpridor dos seus deveres para com a sua família e honrou enquanto pode todos os seu compromissos. Machucou muitas vezes alguém, se sentiu dono do mundo, e da razão. Mas tudo isso fazia parte do seu aprendizado para a missão que mais tarde Deus lhe cobraria.

E o retorno veio, é que o tempo de Deus não é igual ao nosso, e nós seres humanos somos “imediatistas”, queremos num curto espaço de tempo vê tudo solucionado. Somos homens de pouca fé.

A recompensa está chegando, não sei se você está percebendo, acredito que sim. Se não, vejamos:

Você foi abençoado com três de seus filhos – por enquanto, porque ainda faltam dois – ao passarem no vestibular em Faculdades públicas – além do ensino ser melhor. Será que se você estivesse empregado eles teriam tanta garra para correr atrás do futuro? Afinal eles sempre tiveram tudo, escola particular, alimentação a mais variada e rica possível, sem contar com a moradia espaçosa e confortável. Diz um velho ditado que tudo que é dado demais com muito trabalho por parte de quem dá, a pessoa beneficiada termina por se acomodar e não sair a procura da sua independência - é peculiar do humano. Quando Deus te chamou ao cumprimento da missão, muito embora de uma forma que nem você compreendeu - imagine os outros - Deus está sempre nos testando, vieram lamúrias, incompreensões, insatisfações e acusações pela perda do emprego por parte de todos, inclusive eu, engrosso essa lista. Pobres de nós! Que não conhecemos e nem procuramos se quer entender por pouco que seja a Obra Divina! E Deus entrou em providência para com a sua família – deu-lhes a garra de irem à luta “branca” em busca de um futuro melhor.

Continuando... Bené, o mundo espiritual é tão organizado que nós humanos jamais aprenderemos essa ordem, tamanha é a complexidade. Vejamos: éramos seis filhos. A mais velha apareceu com problemas no joelho, e praticamente ficou incapacitada. O próximo, Deus levou aos 53 anos sem saber da doença que acometeria nossa mãe. O próximo filho - outra mulher, caiu aos cinqüenta e seis anos, quebrou o fêmur - fratura arriscadíssima, corria o risco de nunca mais andar - e ainda quebrou o braço, outra fratura complicada que precisou também de cirurgia. Depois dessa, outra filha –Eu - aos 53 anos, um câncer que vem sendo até hoje monitorado, e não se pode dizer que esteja declarada curada. Teve trombose, e tem problemas sérios na coluna. O próximo irmão é uma pessoa que necessita de cuidados especiais, além de ser dependente, também tem problemas com várias doenças, sem contar que tem depressão-mórbida-crônica. Depois desse, o mais novo – Você, poucos problemas de saúde, teve a sorte de morar na Grande Salvador em um sítio, casa espaçosa - não interessa aqui detalhes da situação da mesma, o fato é que abrigou sua família por quase vinte anos com todo conforto – quem não gostaria de uma morada dessa? E agora quando três dos filhos já estão a meio caminho percorrido, Deus continuou entrando em providência com vocês – terão uma casa no centro e ainda terão outra em Lauro de Freitas. Talvez que o sítio já tenha cumprido o seu papel no tempo que se precisava de muito espaço. Tudo isso fruto do trabalho que Deus lhe permitiu ter até quando ele sabia que você poderia ficar, pois sua missão estava perto de lhe ser cobrada, e você não poderia estar empregado. Alguém precisaria demais de você, em tempo integral – O seu tesouro mais precioso depois de sua família - Nossa Mãe – alquebrada por tantos anos de trabalho pesado - carregar sacos de açúcar, trabalhar em pé no armazém, aturar a personalidade forte do nosso querido velho, e ter que caminhar e tomar decisões difíceis sozinha, sem o seu companheiro de mais de 34 anos. Os filhos reclamando a sua presença e ela era apenas uma, e todos a queriam. E por muitas vezes a fizeram chorar pelas brigas que travavam com ela pela disputa do seu colo – pobres órfãos-adultos-bebês”! Seria crível oh Deus! tanta irracionalidade em quem tem a capacidade do raciocínio? Como se não bastasse, o nosso irmão mais velho enveredou-se pelos caminhos do álcool que muitas vezes teve que ser internado em manicômios – Era um pedaço do coração dela que sofria e uma parte do seu cérebro que a tristeza ia apertando fazendo murchá-la. Ainda assim ela tentava ser forte, sem nosso pai tudo ficava mais difícil, porque ela já não tinha mais a presença alentada do Velho-Novo “Cota” - partiu muito cedo nosso “painho”, talvez que já avisado que você teria uma missão a cumprir e a presença dele talvez lhe dificultasse o cumprimento de tão sublime incumbência – para lhe ajudar na resolução dos problemas. E ficou sobrecarregada... E a cobrança vinha de todos os filhos . Eu ainda guardo na memória o medo estampado no rosto da minha mãe com a violência e autodestruição vindas a galope que ia tomando conta de Jorge. Veio nosso outro irmão, com problemas semelhantes – Mas esse não poderia ir embora, Deus o tinha escolhido como co-adjuvante. E que se faça justiça – filho aplicado e dedicado no seu papel de co-participante dessa missão para com a nossa Grande –menina - e as forças delas foram minando, o coração estava despedaçado, a dor das perdas, das saudades, e das nossas ingratidões iam pressionando cada vez mais o seu cérebro estiolado pela pressão de tamanho peso. Também vieram as doenças, aliás, doença é que não faltava nessa criatura - nossa “Mami” é um ser purificado através das doenças. Com tudo isso, só lhe restou fazer a viagem do mundo em tempo real para a volta ao mundo do tempo de criança. Ela decidiu esquecer para não sofrer mais, e com certeza pensou que não sofrendo, os filhos também não padeceriam ao vê-la prantear. Preteriu a vida em tempo real para o bem dos filhos. Chamou “Al” e”Zheimer” para ficarem com ela. Você bem sabe que ela não sofre, e isso pelo menos nos conforta.

Guerreiro, Guerreiro meu! Hoje eu gostaria de ser uma grande escritora, para deixar grafado aqui, coisas belas a seu respeito, mas escrevo com as minhas limitações de leiga e te digo: Muito Obrigada, meu irmão caçula, por cuidar com tanto amor, ternura, abnegação, sacrifício e renúncia da nossa querida mãe!

Te amo muito, e peço perdão pelas muitas vezes que o destratei, que não te compreendi.

Paz, harmonia, prosperidade... para você e toda sua família.

Força, coragem. Você já é um vencedor.

Beijos. Fica com Deus!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

UM ROUXINOL ESPECIAL

..."Tua cabeça está branca, mas há luz no teu olhar"... Mãe, não importa se a vida levou embora a tua memória, mas deixou contigo a tua audição para escutar as minhas cantilenas, como escutei as suas lá na meninice - ..."Não vou deixar de ser um sonhador"... Deixou também mãe, a tua voz que tal qual um pássaro cativo dentro de si mesmo, canta o dia tdo a nos lembrar que não é apenas uma forma humana em estado de inércia. Obrigada meu Deus por esse Rouxinol ímpar. Canta meu Rouxinol e nos faz lembrar que você é guerreira, vida pulsando nesse Universso de tantas controvérsias

QUISERA PODER TE VER

Pai vc partiu tão cedo! Mas enquanto esteve aqui, foi o meu heroi, meu limite, meu prumo... Vc foi meu livro de cabeceira. Um dia eu escrevi uma carta para vc, lembra? dizia mais ou menos assim: ..."Painho espero que o meu marido caminhe junto comigo e nossos filhos, pelos mesmos caminhos que vc caminhou conosco. Quero que ele seja um pai presente, como o senhor foi, mesmo nas horas que eu ficava de birra quando ouvia aquele NÃO tão autoritário"... E Deus me ouviu! Vc pai, e o meu sogro, foram referenciais de vida a ser passados para os nossos filhos. Sei que os dois andam papeando por aí, e sei também que estão a nos proteger e a sofrer por cada tombo que levamos. Vc , e esse “véio” baixinho que aqui na terra era andarilho que só. Diz prá ele pai, que o filho dele é marido e pai exemplar , e ainda herdou dele essa mania de passear pelo comércio, e o gosto de lidar com a terra. Quem dera pai, pudesse vê-lo, por um minuto que fosse, para dar-te um beijo e dizer olhando nos teus olhos– Muito obrigada!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

QUANDO O AMOR É MAIS FORTE

Zinho,

O tempo pintou meus cabelos. Também pintou os teus. Traçou linhas em nossos rostos, lambuzou com seu pincel inexorável os nossos corpos, e vive a brincar de esconde-esconde - já não tenho mais onde procurar o vigor da juventude, que me fazia lembrar de tudo a qualquer momento. Mas o tempo, o Senhor de tudo e de todos, também ordenou, que para cada ano vivido juntos, o nosso amor cresceria na mesma intensidade que ele fosse nos modificando, até que, enfim eterno, se transforme, fluidifique, e se espalhe pelo mundo, gerando novos amores e se multiplicando sob as Bênçãos de Deus!