sábado, 23 de junho de 2012


Depoimento Corajoso

Esse é meu filho do meio muito amado, estarei sempre que Deus permitir ao teu lado.


"Bem amigos, nem sei ao menos porque eu estou escrevendo isso, mais meu coração anda tão triste que talvez seja uma forma de aliviar um pouco a minha tristeza quero salientar que não é uma tristeza de fim do mundo, pois sei que a nossa vitória em Cristo Jesus é garantida, apenas uma tristeza de que não gostaria de
estar passando por esse momento, mais Deus sabe de todas as coisas e espero Nele e confio Nele, bem muita gente conhece a minha história sabe que nunca fui como se dizem "flor que se cheire" mas apesar de tudo tive uma nova chance, uma nova chance de experimentar de novo uma nova vida, uma vida de vitorias, vim para São Paulo derrotado, triste sem pespectiva nenhuma, larguei duas filhas na Bahia e vim atras de algo melhor, sair do mundo ao qual eu vivia simplesmente fugir dele, mais confesso a todos, no começo não mudou muita coisa, bebia muito, muito mesmo, fui trabalhar em obra em Campinas cavando fossa, depois trabalhei numa empressa fazendo escadas de concreto, ganhava pouco mal dava para sobreviver a minha ex sogra trabalhava fora e só voltava fim de semana e o que ela deixava
na geladeira para a semana era o que comiamos, estava tão triste, mais não levava essas passagens para a minha familia que estava na Bahia pois tinha muita vergonha e voltar não era a minha intenção pelo menos naquele momento, um certo dia eu estava muito mal, achava que a minha vida não tinha mais solução, morando num cômodo e bebendo muito, me aparece alguém enviado por Deus e me chama "IRMÃO" vamos hoje na igreja, eu não tinha mais nada, porque não dar uma chance a Deus
só me restava isso e sendo assim fui, chegando lá a noite fui tocado pelo Espírito Santo de Deus e aceitei a Jesus como meu Salvador, chorei muito e dizia em pensamento se o Senhor realmente existe muda a minha história, restitui tudo que eu perdi e naquele momento tocou a música Restitui e chorei muito, passou se uns dias eu eu me mantive fiel, a minha esposa na época falou para irmos sair para um forró e eu disse que não que iriamos na igreja e com isso desencadeou muitas brigas queria ir a igreja e ela sair para festas, não demorou muito nos separamos pois ela tinha mandado escolher ou ela ou a igreja, mais pensem comigo, eu estava no fundo do poço era a minha chance minha nova chance, e eu me decidi fiquei com a igreja tive que sair da casa dela póis não era minha, fiquei desempregado aluguei uma casa
por 250,00 sem nem ter esse dinheiro, andava muito atras de emprego e um dia entrando numa loja de moveis chamada LOBELAR, falei com uma moça e ela falou olha tem uns moveis aqui para montar dentro da loja mais aqui dentro pagamos só a metade da montagem, nunca tinha montado moveis na minha vida, meu pai me mandou 50,00 andei até o banco mais proximo e saquei comprei um jogo de chaves e um martelo e fui e ela perguntou vc vai montar na mão, vou respondi estou acostumado menti, mas como eu tinha dito tinha colocado Deus na minha vida e agora só me restava viver da minha fé e acreditar Nele, passei uma semana montando acreditem montei certo era como se já soubesse o que estava fazendo, comprei uma parafussadeira eletrica, vi uma placa numa loja chama MARABRAZ, uma loja de moveis imensa e entrei fui atendido pelo gerente que foi um anjo que Deus colocou na minha vida, ele dizia Deus vai te ajudar e eu também, passei 6 messes só montando loja aprendi muito,
e comecei a ganhar um pouco melhor pois nesse meio tempo cheguei a passar fome, comprei 2 kg de rins bovino e comi a semana inteira, fritava e comia até chegar o dia do pagamento paguei o aluguel e comprei umas roupas e comida que dia feliz e daí por diante meus amados foi só vitória claro muitas lutas mais todas ganhas.
Hoje Deus me deu uma familia linda,num bom emprego, casei de novo tenho uma filha de 1 ano e 9 messes, mais hoje estou triste a minha esposa, a esposa que eu amo que Deus me deu foi diagnosticada com Cancer de Mama, sei que para honra e gloria do nome de Deus ela esta curada, mais sou humano não um super humano e eu amo tanto ela que essa notícia para mim foi como se tivessem tirado o meu chão, lembro do sofrimento dela no hospital quando descobriu a doença, ela chorava e eu falava calma amor
estou aqui do seu lado e Deus não vai abandonar agente, eu com minha filha no colo vendo a mãe chorar, mais Deus é grande, logo outras pessoas vieram confortá-la e eu me senti mais tranquilo, no momento que eu estou escrevendo essa mensagem ela está no hospitál, hoje começara a sua guerra, mais ela está tão forte sabe que será uma guerra aonde a vitória sera sua, ontem fomos comprar roupas para ela e me pediu para compra uma boina para ela e lenço aquilo me doeu tanto sei que a quimioterapia vai fazer os seu cabelos ao qual ela tem tanto zelo cair e que é para o bem dela para a cura dela, mais não me interessa o cabelo, ou qualquer parte do corpo dela se ela tiver de perder o que me interessa é ela viva do meu lado para sempre, envelheceremos juntos, criaremos nossos filhos juntos e daremos muitas risadas juntos é isso que me interessa. Peço a todos que continuem orando por ela, ela é muito especial para mim, agradeço a todos que torcem e oram por ela.
Amamos todos em Cristo Jesus".
Desafiando Limites II


Hoje foi um dia, digamos assim........... Um pouco mais tranquilo..... João levou Jarli ao Onco... Saíram às 7 da manhã e chegaram, coitados, às 18 hs, um frio de lascar!!! Eu fiquei com Zelito tomando conta da casa...... Lavar os pratos foi o pior castigo, a água endurecia meus dedos, ..... Olha, João é o cozinheiro da casa, deixou tudo pronto, mas..... Pensem em uma bagunça generalizada, pensaram? Pois foi como ele deixou a cozinha, o fogão nem conseguia funcionar de tanta sujeira.... Quando levantei às 6,00 hs para arrumar Jujuba para a escola, olhei, olhei a bagunça e pensei, vou voltar para cama....... Não consegui dormir, a cozinha me provocava pesadelos.... De repente um estrondo que há muito tempo não ouvia na minha vida, parecia que o mundo ia desabar...... Não era nada, apenas trovões. Aqui em SP é ensurdecedor essa arrumação de Deus lá no céu. Me enrolei o mais que pude no edredon, mas a cozinha me peraseguia..... Levantei, respirei fundo e mãos à obra, lá se foi eu fazer com que aquele recinto voltasse a parecer o que era verdadeiramente...... Levei horas... Consegui terminar.... Agora me desloco para a arrumação da casa, Carol e Zelito me ajudam a dobrar os cobertores, haja edredon, varro a casa, ponho a comida de Carol, chega Júlia, vai Carol para a escola, ponho a comida de Júlia, Zelito lava a louça do almoço, dou uma rápida limpeza no sanitário, estendo o resto da roupa. Sol? Onde? Cadê? Eu que passo o tempo todo me queixando do Sol lá na Bahia, aqui o procuro como se fosse um manjar dos deuses, um raiozinho se quer já me bastaria, mas nada, tudo aqui é muito cinza, começa a cair uma chuva... Termino de varrer a casa. Ponho Mariazinha para dormir, lá se vai metade da tarde... Chegou meu limite... Ainda bem que tenho Zelito aqui - obrigada mano- ele ajuda Jujuba a fazer o dever. Eu? apenas falo - sinto muito continue ai com Jujuba pois vou colocar o corpo no horizontal. Pego um edredon, me enfio debaixo dele, o corpo todo doi, mas sou recompensada por um ambiente gostoso, um quarto bem escurinho, um colchão pra lá de bom e a "lombrigó" (Mariazinha) dormindo, não preciso de mais nada. Obrigada meu Deus. Acordo como sempre, com uma mão familiar me acariciando e me dizendo " O café está fresquinho acabei de passar, pão quentinho". Que delícia de afago e de esposo . Obrigada meu Deus, por mais um dia que dei conta.
Desafiando  Limites

Ufa.... 6,00 hs, 15 graus, uma chuva danada, toca o celular, o diabo de uma voz de galo a lembra -me que é hora de levantar para aprontar Júlia para ir à escola... -Acorda Jujuba, Jujuba não se move. Acorda Ju, nada, levanto, molho a mão um pouco e passo no rosto dela, ele se vira, eu puxo a perna... Levanta Jujuba, aí meu Deus, que dificuldade colocar esse criança em pé...Ufa que o frio tá de lascar... Começo a vestir Jujuba.... Primeiro uma blusa de manga comprida, depois uma casaco de lã, em seguida a camisa do colégio... Pensam que parou por aí? Agora a meia calça, depois a calça jeans, depois os tênis, .... Deixo ela no sofá, vou esquentar o leite para fazer o nescau... - Rápido Ju para não atrasar, bebe esse nescau, e ela sonolenta ainda, bebe a conta-gotas, vamos escovar os dentes, enquanto isso providencio colocar a merenda na sacola... - Terminou de escovar os dentes? Hora de pentear os cabelos, ai meu Deus, é um tal de " você apertou muito" aí minha vó ta doendo... Consegui, falta a última peça de roupa um casaco grosso lindo, com capuz, minha Jujuba fica toda pronta e formosa para ir para escola, Chega o pai, "minha mãe tem café" ? Coloca um pouco na xícara... "Vamos Júlia ta na hora se não chegamos atrasados"... "Tchau, mãe," " tchau vó, respondo: - Deus acompanhe os dois. Fecho a porta, volto para cozinha para fazer o mingau de Mariazinha, não demora muito e ela vai acordar berrando.... Levo a mamadeira para o quarto, quando acordar é só enfiar a mamadeira "guela abaixo".... Mas, aí é com a mãe dela. Ufa, terminei!!! Ainda dá tempo de tirar um soninho, volto pra cama, daqui a uma hora começa a outra fase de mais um dia de rotina na minha nova profissão - Tia Anastácia...

domingo, 1 de abril de 2012

Adeus Mãe

ADEUS, MÃE, ATÉ UM DIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!, SEGUE EM PAZ............. FOI DIVINO, FOI MARAVILHOSO.................. EU CONVERSANDO COM VOCÊ ENQUANTO LHE VESTIA PARA TE COLOCAR NO SEU BERÇO DE MORTE. EU E VOCÊ SOZINHAS............. ATÉ CONSEGUI RIR QUANDO DIZIA - ME AJUDA MÃE, VOCÊ TA MUITO PESADA E SÓ TEMOS NÓS DUAS AQUI, COLABORE, E EU TE ARRANQUEI OS PANOS QUE TE COBRIAM, DESATEI, AS FAIXAS QUE LHE AMARRAVA AS MÃOS E OS PÉS, COM MUITO ESFORÇO E, CLARO, "SUA AJUDA" COLOQUEI SEU VESTIDO AZUL, AZUL COMO A COR DO CÉU ENSOLARADO QUE ESTAVA HOJE.!!!!!!!!!!!!, PENTEEI-LHES OS CABELOS PRATEADOS, FECHEI UM OLHO SEU QUE TEIMAVA EM PERMANECER ABERTO E EU RALHANDO COM VOCÊ - NÃO, ASSIM FICA FEIO, DEIXE DE SER TEIMOSA...... PARECIA EU A MÃE E VOCÊ A FILHA...... DEI O LAÇO DO VESTIDO, CRUZEI SUAS MÃOS E SORRI, MAS SORRI COM VONTADE AO PERCEBER QUE TINHA CONSEGUIDO LHE DEIXAR LINDA....... CHEGA MEU ETERNO COMPANHEIRO, MEU GRANDE AMOR, MEU TUDO, OLHA A CENA, SE ESPANTA COM TUDO QUE CONSEGUIMOS FAZER SOZINHAS ME ABRAÇA CHORANDO DE EMOÇÃO E ME CONFORTA E ME CHAMA DE GUERREIRA E ME DIZ VOCÊ É MIN HA MARIA.................... ADEUS MINHA FLOR, DORME TEU SONO ETERNO TRANQUILA!!!!!!!!!!!!!!! BEIJOS DA SUA FILHA........... AMANHÃ VOU SEGUIR SEU BERÇO E VOU VÊ-LO DEPOIS COBERTO DE RELVA COMO VOCÊ SEMPRE QUIS.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O dia que o gigante teve medo

30 de março de 2012 às 10:40

Lula: “Recebi uma bomba de Hiroshima dentro de mim”

NA PRIMEIRA ENTREVISTA APÓS O DESAPARECIMENTO DO CÂNCER, LULA FALA DO MEDO DA MORTE E AFIRMA QUE AGORA QUER EVITAR UMA AGENDA ‘ALUCINADA’
Cláudia Collucci e Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que teve mais medo de perder a voz do que de morrer após a descoberta do câncer na laringe. “Se eu perdesse a voz, estaria morto.”
Um dia depois da notícia de que o tumor desapareceu, ele recebeu a Folha para uma entrevista exclusiva num quarto do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde faz sessões de fonoaudiologia.
Lula comparou a uma “bomba de Hiroshima” o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.
Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. “Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou.”
Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão “com a casca dura”.
A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e “guru”, pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.
Folha – Como o sr. está?
Luiz Inácio Lula da Silva – O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
Foi difícil abrir mão…
Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
O sr. teve medo?
A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
Qual é a palavra correta?
A palavra correta… É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] – Pelo amor de Deus, presidente!
Em coma?
Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até…
Sentia dor?
Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
Teve medo de morrer?
Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
Mesmo assim, teve um medo grande?
Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: ‘Não tenha medo da morte’. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem…
Qual foi o pior momento neste processo?
Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: ‘Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor’. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
No dia do meu aniversário, eu disse: ‘Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames’. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: ‘Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!’ Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: ‘Então vamos tratar’.
Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: ‘Vamos fazer’.
O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: ‘Hoje eu não quero, não tô com vontade’.
O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
Fez alguma promessa?
Não.
Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011… Nós visitamos 30 e poucos países.
Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
Tem falado com ela?
Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas?
E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.
 









(Do Vi o  Mundo)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mãe - O amor mais puro

Mãe é uma só que a gente tem no mundo.
Mãe é o amor mais puro e mais profundo.
Oh minha santa mãezinha que tantas vezes eu fiz chorar,
Aqui venho para dizer-te que sempre, sempre hei de te amar!
Mãe, pensar que um dia poderás faltar-me,
Mãe pensando nisso vivo a lamentar-me.
Por isso nas minhas preces tenho pedido ao Criador
Que nunca, nunca me falte,
O teu carinho, o teu amor!
(interpretação de Francisco Petrônio)

Mãe, mesmo tendo partido para outro Plano continuo com as minhas preces - “Que nunca, nunca me falte, o teu carinho, o teu amor”.
Minha mãe cantava muito essa canção, eu já entrando na adolescência, ficava encantada com a interpretação que ela dava a essa música.  Quando o estado dela se agravou, mesmo ainda não tendo ido para o hospital resolvi gravar em meu MP3 (MP3 mesmo, para ouvir música só gosto de P3)todas as músicas que escutava ela cantar na minha meninice e adolescência e essa era uma das minhas favoritas.
Coincidentemente enquanto aguardava a hora de entrar no domingo para vê-la (mesmo o horário de visita fosse das 11 às 12 h cheguei cedo, pois no dia anterior o quadro dela tinha se agravado muito) eu estava com meu MP3 ligado ouvindo essas músicas. Quando deu 11.15 h abriram as portas da UTI - eu já achando estranho a demora e a porta fechada à chave..........  O médico me chamou e João para dar a notícia da sua ida. Eu me desesperei, gritei, chorei, briguei com ele, pois sabia que tinha familiares dela na sala de espera e não permitiu que ela partisse com as nossas preces nem com as nossas mãos unidas. Só depois nos chamou. Deus, Oh Deus liberta de mim esse sentimento de raiva!  Ajuda-me a entender por que esse infeliz fez isso, se um dia antes o outro plantonista permitiu que entrássemos eu, meu irmão, minha irmã e minha sobrinha, pois percebeu que ela podia ir embora naquele momento? Fiquei arrasada.  Descontrolei-me, sai correndo para o leito da minha mãe e me deparo com o quadro mais triste e dolorido que já senti em toda a minha vida: Fora crível Oh Deus, minha mãe toda largada, descoberta, ainda intubada, e com aquela maldita máquina ligada, com tudo zerado - Eu acredito que essa máquina não foi uma invenção direcionada por Deus ao homem – prolongar sofrimento? Não sei de onde me veio tanta coragem e força num momento que estava totalmente fragilizada.......... Arranquei-lhe o tubo do oxigênio, puxei os fios daquela máquina fria, insensível, que só me mostrava zeros e listas verdes em estado de inércia e aquele bip que nunca me pareceu tão ensurdecedor e agonizante , piscando, apitando, piscando, apitando......... Como se fosse uma macha fúnebre – é assim que vou lembrar para o resto da minha vida desse som.
Sei que minha atitude foi infantil, deseducada para o local e quiçá irracional, uma vez que, a sua alma já se tinha desprendido do corpo e esse já não sofria mais......... Ma, pra mim era como se tivesse libertando-a de vez de todo sofrimento carnal. Repreenderam-me, disseram-me que eu não tinha credencial para fazer esse procedimento.   Apenas respondi: - Agora que vocês chegam?  A mãe é minha, o sofrimento é meu, e o respeito ao corpo que vocês juraram ao formarem-se, não cumpriram.  Pois que se dane a vil burocracia, pelo menos é um trabalho a menos pra vocês tão insensíveis.................
 A morte pra mim é uma coisa natural, embora sofrida, é bonita quando se parte com o dever cumprido e junto dos que amamos por isso não me conformei de não estar de mãos dadas com ela e orando enquanto ela se ia, já que Deus tinha me dado a felicidade de estar lá esperando........... Eu tive esse privilégio com a minha sogra - o plantonista avisou que ela estava falecendo, perguntou se alguém queria entrar (fora do horário de visita) eu disse que sim................. Ela partiu de mãos dadas comigo enquanto eu orava. Assim, esperava que o médico que estava no plantão tivesse a mesma atitude de solidariedade no caso da minha mãe.............  Esqueci que as pessoas são diferentes, existem racionais e irracionais, frias e sentimentais, solidárias e desumanas...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Semear Felicidade

 Três crianças, um jovem, dois adultos... Sorrindo lá se vão os adultos o jovem e uma criança... A porta se fecha, ficam duas crianças com o olhar triste talvez a se perguntarem por quê não, nós também?... Batem à porta, imagino a alegria das duas, mas não é nada, apenas alguém esqueceu alguma coisa... Passa-se uns minutos e á porta volta a soar toques novamente... Agora tenho certeza: a consciência falou mais alto, olho nos olhos das duas crianças e já antevejo o brilho de felicidade... Oh que desilusão!!! Não foi nada, apenas mais alguma coisa que esqueceram... É cruel!!! É desumano!!! É tola, é fútil essa irracionalidade... Mas, mais triste que o olhar pedinte das duas crianças, é constatar que semear felicidade é ofício que poucos sabem!!!!